sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Feriado Islâmico



Eid al-Adha (عيد الأضحى, "Festa do Sacrifício") é a maior e mais importante festa Islâmica que marca o fim do Hajj ou peregrinação a Makkah. É obrigação a todo muçulmano que possua condições físícas, mentais e financeiras que visite a cidade de Makkah na Árabia Saudita pela menos uma vez na vida. Neste local, encontra-se a primeira casa de adoração a Deus, a Ka'abah, construída por Abraão. Cerca de dois milhões de pessoas de todos os pontos do planeta realizam anualmente o Hajj. Se a peregrinação a Makkah ocorrer noutra altura do ano será chamada de Umrah; é considerada uma boa ação, mas não substitui o Hajj.

Sobre o Hajj

O Hajj compõe um dos 5 pilares do Islam (Testemunho, oração, jejum, caridade e peregrinação). A realização da peregrinação é antecedida pela manifestação do desejo de efetuá-la (niyya, "intenção"). Para esse efeito foram desenvolvidas fórmulas que proclamam essa intenção. A decisão de partir em peregrinação não deve prejudicar ninguém, caso contrário o Hajj será inválido. O peregrino não deve contrair dívidas para fazer a viagem, não deve deixar dívidas por pagar e não deve deixar os membros da sua família sem recursos ou em situação desprotegida. O dinheiro que ele usará para pagar sua peregrinação também não pode ser proveniente de uma ação ilícita - como por exemplo do roubo ou impréstimo com juros.

A partir do momento em que o peregrino se encontra a uma certa distância da cidade de Makkah, deve proceder à entrada no estado de ihram ("sacralização", estado sagrado), que consiste em vestir a roupa (iharam) que usará durante a celebração dos rituais: duas peças de tecido brancas não cosidas e sandálias igualmente não cosidas (isso só é válido para os homens, as mulheres devem estar trajadas com suas vestes modestas normais). Enquanto permanecer no estado ihram o peregrino não deve cortar o cabelo, cortar as unhas, usar perfumes, matar animais, envolver-se em discussões ou lutas, manter relações sexuais ou contrair matrimónio. O peregrino volta outra vez a proclamar a sua intenção em efetuar o Hajj.

Depois de entrar na Grande Mesquita de Makkah o peregrino efectua o tawaf, que consiste em realizar sete voltas à Ka'abah no sentido contrário aos ponteiros do relógio (cada volta é chamada de shawt, sete ashwat constituem o tawaf). Durante as sete voltas o muçulmano efetua orações. As primeiras três voltas devem ser efetuadas a um passo mais acelerado.




Mais de dois milhões de muçulmanos reunidos para louvar a Deus.


Em seguida, o peregrino procede à prática do sa´ee (ou sa´y, "deambulação") percorrendo um corredor entre os montículos de Safá (Safa) e Meruá (Marwa), ainda dentro da mesquita, de novo sete vezes. Este ato recorda o desespero de Hagar, mulher de Abraão, quando procurava água para o seu filho Ismael entre aqueles dois pontos. Os peregrinos podem também beber um pouco da água do poço de Zamzam, que se encontra na mesquita e que salvou Hagar e o seu filho Ismael.

O peregrino recita depois o talbiya, uma oração na qual declara que faz o Hajj unicamente em devoção a Deus.

Depois do pôr-do-sol os peregrinos dirigem-se para Mina, um local perto de Makkah, onde acampam e passam a noite. Devem aqui realizar as suas orações. Termina aqui o primeiro dia do Hajj.

No dia seguinte (dia 9 do mês de Dhu al-Hijja), os peregrinos deixam Mina em direcção a Arafat, um local habitualmente referido como um monte, mas que na realidade é uma planície a cerca de 20 km de Makkah. Uma vez em Arafat o dia é consagrado à oração, à leitura do Alcorão e ao pedido de perdão a Deus pelos pecados cometidos. O peregrino chegou ao ponto alto do Hajj.

Após o pôr-do-sol os peregrinos dispersam, abandonando Arafat em direcção a Muzdalifah. Em Muzdalifah fazem a oração da noite e lá deverão passar a noite em tendas. Durante a noite recolhem-se pequenas pedras que serão usadas num ritual do dia seguinte. Antes do nascer do sol parte-se para Mina.

Em Mina os peregrinos atiram sete pedras contra três bétilos (pedras que eram adoradas como divindades nos tempos pré-islâmicos). A maior delas, Jamarat al-Kubra, representa hoje Satanás. O ato tem como simbologia o desejo de se renunciar ao mal e exaltar o Deus único (base de toda a crença do muçulmano). Cada peregrino deve depois sacrificar um animal (um carneiro ou um bode). Os ritos terminam com o início de um festival que celebra o fim do Hajj, o Eid al-Adha ("Festa do Sacrifício").

Uma vez que é impossível consumir toda a carne que resultou de cada um dos sacrifícios, as autoridades locais (em países árabes) desenvolveram complexos de tratamento das carnes para serem mais tarde distribuídas entre os mais necessitados.

Em Mina os peregrinos podem retirar os trajes que usaram durante os rituais.

Peregrinos fazendo súplicas.


Por último, o peregrino deve efectuar um tawaf e um sa´ee finais antes de se despedir de Makkah. Todo o homem ou mulher que efetou o Hajj é chamado de hajji ou hajjah respectivamente, alcançando um status de respeito na comunidade e na família.


Percurso do Hajj


A origem da celebração do Eid al Adha

O Eid al Adha acontece no décimo dia do último mês do calendário Islâmico (Dhu al-Hijjah). É celebrado pelos muçulmanos de todo o planeta como comemoração ao fim do Hajj e em memória da disposição do profeta Abraão em sacrificar o seu filho Ismael conforme a vontade de Deus.

Chama-se "festa do Sacrifício" porque remonta a história do Profeta Abraão, o Patriarca dos Profetas, e seu filho Ismael que são um verdadeiro exemplo para os muçulmanos de submissão total a Deus.


Abraão teve uma inspiração em sonho que deveria sacrificar seu amado filho Ismael pela causa de Deus. Mesmo isso lhe sendo extremamente dificultoso, Abraão não exitou em obedecer às ordens de Deus, pois, era verdadeiramente submisso ao Conhecedor do oculto e do manifesto. Disse imediatamente: "Eis-me aqui Oh Deus, eis-me aqui e não há divindade além de Ti, os louvores, as graças e a Soberania pertencem a Ti, e não há parceiros junto a Ti" (Labeika Allahuma labeik, Labeika la sharika laka labeik inna Al Hamda wa ne’mata laka wal Mulk la sharika lak).

Então Abraão foi até seu filho Ismael e disse-lhe sobre o sonho. Então Ismael, mesmo sendo jovem, era também um exemplo de submissão a Deus e respondeu: "Oh meu pai faça o que te foi ordenado, me encontrarás, se Deus quiser, entre os pacientes". Quando ambos haviam se submetido, Abraão afiou a faca e colocou no pescoço de Ismael, mas a faca não fazia sequer um arranhão no pescoço de Ismael. Neste momento, Deus enviou o anjo Gabriel com as boas novas dizendo-lhe que substituísse Ismael por um cordeiro que deveria ser sacrificado em nome de Deus.

A celebração


O festival desenrola-se durante quatro dias (na maioria dos países árabes. Em países que não são de maioria muçulmana, duraapenas um dia). No primeiro dia, homens, mulheres e crianças vestem as melhores roupas que possuem e se dirigem às mesquitas (ou outro espaço aberto que abrigue a todos) para realizarem uma oração especial.

Todos os muçulmanos que possuam meios econômicos, neste dia, devem sacrificar carneiros como forma de relembrar o acontecimento, refletirem se realmente têm sido verdadeiramente muçulmanos, submissos a Deus, ou se tem deixado de acatar Suas ordens, além de estarem prestando uma ajuda a sociedade ao alimentarem pessoas necessitadas. Aqueles que não possuem recursos são aqueles que irão receber uma parte do animal abatido por outro muçulmano. Em alguns casos, em vez de carneiros sacrificam-se bodes, bois e camelos. É condição obrigatória que o animal seja macho, adulto e saudável.

A carne que resulta destes sacrifícios é distribuída entre familiares, vizinhos e pobres.

Alguns muçulmanos que vivem em países ocidentais ficam impossibilitados de realizarem este rito, uma vez que a legislação da maior parte destes países estabelece que os animais devem ser abatidos em matadouros. Estes muçulmanos optam por fazer donativos a organizações que executam o sacrifício em seu nome e distribuem a carne entre os pobres de um país escolhido pelo doador.

Este festival serve também para reunir e visitar amigos e familiares, trocar presentes e firmar os laços de fé, amizade e sangue.

Muçulmanos rezando juntos.





Salam!

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns, o blog está muito bom e esclarecedor.
Só ñ gostei da parte de sacrificar os animais. Desculpe, não estou menosprezando a fé ou costumes do Islã. Apenas, tenho muita dó e certo escrúpulo neste aspecto. Coisa de uma possível vegetariana, sabe??
abraços

Professora Nadai disse...

Assalamu aleikum wa harmatulahi wa barakatuh.
Ótimo site.
Allah Maak

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